Uso de salto alto e dores nos pés podem indicar microfratura

Este tipo de lesão pode acontecer após dançar muito em festas usando salto-alto ou após aumentar a intensidade da atividade física. Muitas vezes este problema acontece mesmo em mulheres jovens e saudáveis devido aos baixos níveis de vitamina D

O salto alto é uma das peças mais icônicas do vestuário feminino. O calçado é obrigatório para muitas mulheres, que superam o desconforto em nome da elegância. Algumas vezes, no entanto, a dor causada naturalmente pelo uso destes sapatos pode ficar mais forte e persistir por meses sem melhorar. Nestes casos a mulher pode ter sofrido fratura por estresse nos pé, problema que prejudica a qualidade de vida muito além de dores crônicas e dificuldade para desempenhar movimentos básicos: pode exigir até intervenção cirúrgica.

A fratura por estresse acontece após episódios de aumento da carga nos pés, como aumentar a intensidade da corrida ou dançar muito em festas de formatura. A dor é forte e aguda, acomete apenas um dos pés e pode vir associada de inchaço nos primeiros dias. Esta dor persiste mesmo com o uso de antiinflamatórios e melhora sutilmente com o repouso, mas após esforços leves a dor volta a piorar.

Mesmo mulheres jovens e saudáveis podem apresentar este quadro, que pode estar associado ao baixo nível de vitamina D no organismo.

“A mudança abrupta do tipo de treinamento físico ou do tipo de calçado, principalmente os calçados de salto, podem levar a este problema. Geralmente são mulheres jovens que podem apresentar baixos níveis de vitamina D”, explica a Dra. Tânia Szejnfeld, ortopedista integrante da Comissão Científica da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).

A vitamina D é produzida naturalmente pelo corpo através da exposição solar na pele e tem papel importante no metabolismo ósseo, pois deixa os ossos mais fortes e resistentes. Entretanto, com a pouca exposição solar dos indivíduos na sociedade moderna, é comum identificar baixos níveis de vitamina D na população. As fraturas por estresse podem acontecer com mais frequência em indivíduos com este tipo de distúrbio.

Se a pessoa sentir dor persistente no pé, mesmo após tirar o salto, o ideal é investigar a causa. Uma radiografia deve ser feita para um diagnóstico inicial. “Se o médico identificar algo, a ressonância magnética da área é o exame mais indicado para investigação de fratura por estresse”, explica a ortopedista integrante da ABRASSO.

O tratamento leva de um a dois meses e exige imobilização, repouso e uso de bota ortopédica. “Se a fratura não melhorar pode ser necessário até mesmo o tratamento cirúrgico”, explica a Dra. Tânia.

Para evitar esta doença é fundamental que jovens e idosos tenham exposição solar de pelo menos 20 minutos por dia ou façam suplementação de vitamina D, atentem à ingestão diária de cálcio (três copos de leite) e pratiquem atividades físicas (caminhada de 40 minutos três vezes por semana).

Dicas de viagem ajudam a proteger os ossos de pessoas com osteoporose

Fisioterapeuta da ABRASSO sugere pesquisar o destino escolhido, optar por calçados confortáveis e malas leves, de preferência com rodinhas

Os dias de descanso são desejados por muitos. Planejar a viagem é uma delícia, mas quem sofre com a osteoporose precisa de atenção extra aos detalhes do passeio para evitar quedas ou fraturas graves: cerca de 10 milhões de brasileiros têm esta doença e, de acordo com o Estudo Brasileiro de Validação em Osteoporose (BRAVOS), deverão ocorrer 66.760 mil casos de fratura de quadril – que pode levar à morte – por osteoporose, em 2015.

Alguns cuidados antes da viagem podem ajudar a evitar problemas. Para a fisioterapeuta Leda Magalhães de Oliveira, membro da Comissão Científica da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), o primeiro passo é pesquisar bem o destino, suas características e os passeios que serão feitos. Com essas informações importantes a pessoa com osteoporose poderá se preparar e fazer uma viagem segura.

“Para os mais idosos os passeios ao ar livre podem ser feitos com auxílio de bengalas ou acompanhados de uma pessoa. Lugares com piso irregular necessitam de atenção para evitar quedas e consequentemente fraturas”, esclarece Leda.

Veja algumas dicas da fisioterapeuta:

Malas – Para mais comodidade, prefira malas com rodinhas. Outra dica é manipular as malas sem se inclinar sobre elas, levantando-as pela lateral, o que favorece firmeza do corpo. Se precisar solicitar ajuda para transportar as malas, não hesite. Para abaixar não se incline para frente, mas separe as pernas (uma a frente da outra) e dobre levemente os joelhos, de forma que seu corpo não fique inclinado à frente dos joelhos.

Calçados – Opte por calçados confortáveis, de preferência os fechados. “Qualquer sapato sem calcanhar é contraindicado depois dos 60 anos. O modelo ‘Crocs’ só é recomendado para usar dentro de casa e é muito perigoso em escadas rolantes. Sapatos de salto alto podem desequilibrar e causar dor embaixo dos dedos. Saltos finos nem pensar”, afirma Leda.

Postura – Ao sentar leve o tronco contra o encosto. “Não incline o corpo para trás com os ombros a frente do quadril – eles devem estar um pouco mais atrás. O corpo deve fazer um “L” e não um “C”. A cabeça deve ficar sobre o quadril e não projetada muito à frente. Ficar sentado muito tempo faz com que a musculatura não funcione muito bem, então vale a pena se levantar e esticar os braços para o alto de vez em quando, como se estivesse empurrando para o alto. Outra coisa importante é dar uma boa espreguiçada”, finaliza a fisioterapeuta integrante da ABRASSO.

Desconhecimento aumenta riscos da osteoporose em homens


Fraturas causadas pela doença tendem a aumentar com envelhecimento da população e prejudicar a qualidade e a expectativa de vida dos homens, especialmente as fraturas de quadril

Ser pai é uma experiência única. Brincar com filhos, ver seu crescimento e participar ativamente de sua vida são desejos de todos que experimentam a paternidade. No entanto, estes sonhos podem ser atrapalhados pela osteoporose. A doença é tida como feminina, mas isto é um mito. De acordo com a International Osteoporosis Foundation (IOF) a incidência desta doença entre homens é maior do que o câncer de próstata e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão fraturas de baixo impacto.

“É imperativo que todos os homens tomem consciência de que a osteoporose é uma doença que não reconhece sexo e afeta tanto homens quanto mulheres. Este é o primeiro passo para prevenir e combater esta doença que só no Brasil afeta mais de 10 milhões de pessoas”, afirma a presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), Dra. Vera Lucia Szejnfeld.

Homens que sofrem qualquer tipo de fratura têm sua qualidade de vida comprometida e o número de casos deve aumentar com o envelhecimento da população – estima-se que em 2050 o número de homens com mais de 60 anos ultrapasse a marca de 900 milhões no mundo, de acordo com dados fornecidos pelo IOF.

A pior das fraturas é a de quadril por ser altamente incapacitante. Em 2015 estima-se que o número de fraturas de quadril, por fragilidade óssea, no país, seja superior a 66 mil casos, segundo o Estudo Brasileiro de Validação em Osteoporose (BRAVOS). “A pesquisa indica que após os 50 anos o risco de fraturas em homens aumente de 20% a 25%. A fratura de quadril pode deixar as pessoas incapacitadas e sujeitas a complicações que podem reduzir muito a expectativa de vida”, afirma a presidente da ABRASSO.

Os principais fatores de risco são: idade, histórico familiar, fraturas anteriores, uso de corticosteróides por mais de três meses, deficiência de testosterona e doenças crônicas, como a celíaca, o diabetes e o hiperparatireoidismo. Tabagismo, ingestão freqüente de álcool, sedentarismo, baixos níveis de vitamina D e cálcio também aumentam o risco de osteoporose.

A prevenção desta doença deve começar desde cedo. Manter um estilo de vida saudável é a chave para evitar e combater a osteoporose. Praticar regularmente exercícios físicos, manter uma dieta equilibrada e rica em vitamina D e cálcio, tomar sol ao menos 15 minutos por dia e consultar periodicamente o médico são atitudes importantes que devem ser tomadas ao longo da vida.

“O organismo atinge seu pico de massa óssea por volta dos 35 anos de idade e a partir de então a produção de tecido ósseo começa a diminuir. Por isso diz-se que a osteoporose é uma doença pediátrica que se manifesta na geriatria. Incentivar hábitos saudáveis desde cedo é primordial”, afirma a Dra. Vera.