Cuidados específicos com a dieta podem ajudar no combate à osteoporose

Estudo inédito orientado por um dos membros da comissão científica da ABRASSO investigou hábitos alimentares de 156 mulheres portadoras da doença na pós-menopausa – período de maior ocorrência do problema – e ofereceu parâmetros para a elaboração de dietas que podem combater o avanço da enfermidade no organismo e ajudar na prevenção de fraturas por baixo impacto

Manter uma alimentação equilibrada e rica em cálcio é essencial não só para prevenir a osteoporose, mas também para combatê-la. Segundo uma pesquisa orientada pela nutricionista Lígia L. Martini, membro da comissão científica da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), o cuidado com a dieta pode ajudar a controlar o avanço da doença no organismo.

“Ao realizar esse trabalho, constatamos que as mulheres que consomem carne, frituras, doces, chá ou café em grande quantidade tendem a apresentar densidade óssea mais baixa. Já as que costumam comer frutas, verduras, legumes e laticínios, mais do que todos estes outros alimentos, têm ossos mais próximos de sua condição original, apesar da osteoporose”, diz Lígia que também é docente do Departamento de Nutrição da Universidade de São Paulo.

Para chegar a essa conclusão, o estudo, realizado pela nutricionista Natasha G. França na Faculdade de Saúde Pública da USP, monitorou os hábitos alimentares de 156 mulheres com osteoporose na pós-menopausa – período de maior ocorrência da doença – durante três meses.

Em seguida, a pesquisa passou a registrar tudo o que as participantes ingeriam durante três dias por semana (dois dias úteis e um no fim de semana) pelo período em que foi realizado. O próximo passo foi inserir todos os dados recolhidos em um software especialmente desenvolvido para trabalhos na área de nutrição.

A partir dos dados obtidos, cinco padrões de alimentação foram encontrados: o padrão “saudável”, composto por verduras, legumes, frutas e tubérculos; o padrão de “carne vermelha e cereais refinados”; o padrão de “leite e derivados magros”, como queijos magros, leite e iogurtes desnatados; o padrão de “doces, café e chás”, que também inclui açúcar refinado e mel; e o padrão “ocidental”, caracterizado pelo consumo frequente de refrigerantes e fastfood.

Cada um destes padrões foi caracterizado conforme a quantidade de alimentos benéficos ou prejudiciais aos ossos que apresentava. “Identificar todos estes diferentes tipos de dieta foi fundamental para descobrirmos exatamente quais substâncias – boas ou ruins – estavam sendo ingeridas pelas mulheres recrutadas pelo estudo e em que quantidade”, afirma a Dra Lígia.

Essas últimas informações foram também analisadas com o objetivo de avaliar como cada padrão de dieta encontrado podia, de fato, influenciar na densidade óssea das candidatas.

O resultado foi que dietas compostas por maiores quantidades de laticínios, frutas e vegetais exercem uma função protetora em relação aos ossos. Por outro lado, uma alimentação composta por grandes quantidades de chá, café, refrigerantes, carne, frituras e alimentos industrializados provocam reações que contribuem com a desmineralização óssea.

“Essas informações nos ofereceram parâmetros para a elaboração de dietas que podem ajudar a combater o avanço da osteoporose no organismo e, consequentemente, prevenir efeitos mais graves da doença, como fraturas por baixo impacto, por exemplo”, revela a Lígia. “Ou seja, com esse estudo, descobrimos que é possível utilizar a alimentação não só como uma medida preventiva, mas também como um importante aliado no tratamento da osteoporose que, atualmente, é feito apenas por meio de medicamentos”, conclui a nutricionista da Abrasso.

Sobre a ABRASSO

A Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo – ABRASSO foi criada em 2011 a partir da fusão da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica, da Sociedade Brasileira para Estudo do Metabolismo Ósseo e Mineral e da Sociedade Brasileira de Osteoporose. Possui mais de 1500 associados de diversas especialidades médicas, como radiologia, reumatologia, ginecologia, endocrinologia, e profissionais de outras áreas da saúde.

A ABRASSO é a principal referência em osteometabolismo no Brasil e mantém parceria com diversas instituições: The American Society for Bone and Mineral Research, Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedad Iberoamericana de Osteologia y Metabolismo Mineral, The International Society for Clinical Densitometry e Internetional Osteoporosis Foundation.

A missão da ABRASSO é difundir conhecimento entre profissionais de todo o Brasil para ampliar a prevenção e o tratamento de doenças como a osteoporose, que afeta mais de 10 milhões de brasileiros.

Crédito da foto: Eric Broder Van Dyke (via Flickr)

 

Perda de tônus muscular aumenta riscos de fraturas


Para evitar lesões ósseas é necessário inserir fontes de cálcio na alimentação, expor-se ao sol diariamente e praticar atividade física, especialmente a musculação, já que os ossos respondem aos estímulos dos músculos

A massa óssea apresenta seu pico de desenvolvimento até 35 anos. A partir desta idade há uma perda natural de massa muscular e óssea. O decréscimo da massa óssea em função da idade tem início por volta dos 35 – 40 anos de idade; ocorre lentamente (aproximadamente de 0.5 a 1% do valor inicial por ano).

Após a menopausa, a mulher pode perder até três por cento da massa óssea por ano. “Todos passarão por isso, mas com intensidade diferente, dependendo do estilo de vida e da herança genética da pessoa”, explica a Dra. Pérola Plapler, membro da Comissão Cientifica da ABRASSO – Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo.

Dra. Pérola destaca que a atividade física é importante para manter os ossos saudáveis, já que eles respondem aos estímulos dos músculos. “Além disso, inserir fontes de cálcio na alimentação e banhos de sol por 15 minutos diariamente são medidas que ajudam na prevenção da osteoporose”, sugere Plapler.

A sarcopenia, nome dado a esta perda da força e da fibra muscular está associada, principalmente, ao envelhecimento. Doenças cardíacas, pulmonares, câncer, depressão, entre outras, também são fatores de risco para a sarcopenia. Para prevenir este problema é preciso manter uma alimentação saudável com ingestão adequada de proteína, combinada a exercícios físicos, principalmente musculação.

O músculo é constituído por dois tipos principais de fibras: a lenta e a rápida. A fibra lenta age nos movimentos estáticos, como ficar de pé ou inclinar o corpo. Já a fibra rápida permite os movimentos mais ágeis. No envelhecimento a fibra rápida costuma se perder e a fibra lenta assume sua função. Assim, passamos a ter mais fibras lentas do que rápidas, fazendo com que os movimentos fiquem mais lentos. Essa lentificação, associada à perda de força, pode piorar o equilíbrio e dificultar os reflexos de defesa, o que pode deixar as pessoas mais suscetíveis a quedas e fraturas.

Os ossos e os músculos são importantes por serem responsáveis por sustentarem, protegerem e movimentarem o corpo. “No entanto, ambos precisam estar em equilibro para não prejudicar a função um do outro. Músculos fortes e ossos frágeis favorecem fraturas, que podem ocorrer no local onde o músculo se insere no osso. Ossos fortes e músculos fracos causam problemas funcionais, uma vez que os músculos não conseguem ao se contraírem, promover movimento. Consequentemente, também aumentam o risco de fraturas”, esclarece Pérola.

Com a diversidade de estudos, cada vez mais aprofundados percebe-se uma correlação intensa entre cartilagem, ossos e músculos, fazendo com que um estimule ou bloqueie a ação do outro. “Entretanto, mais estudos estão sendo feitos para entender os mecanismos e assim, será possível melhorar a força muscular, a densidade dos ossos e a qualidade da cartilagem, evitando as fraturas decorrentes de um desequilíbrio”, finaliza a membro da ABRASSO.