Osteoporose pode influenciar na qualidade da saúde bucal

A osteoporose esta relacionada com vários agravamentos da saúde bucal, dentre os quais a perda de osso alveolar, que pode acarretar em perda de dentes e piora na condição periodontal. Pacientes que pretendem implantar dentes devem realizar antes avaliações relacionadas a osteoporose.

Dizem que o sorriso costuma ser um cartão de visita das pessoas. Todos sabem que para causar uma boa impressão é preciso cuidar muito bem dos dentes. Algumas vezes, isto não ocorre, e as pessoas acabam perdendo os dentes e optando por recuperá-los com implantes dentários, afim de conquistar um sorriso bonito. Neste momento, muitos percebem que não basta apenas cuidar bem da saúde bucal, mas também da saúde óssea.

Para receber as próteses é preciso ter boa qualidade e densidade óssea. “A osteoporose não está ligada diretamente a perda dentária, mas causa agravamentos nas doenças típicas da boca, como periodontite e diminuição da densidade do osso alveolar”, esclarece Renato Ferreira, cirurgião dentista integrante da ABRASSO. Contudo o especialista explica que é necessário ter o osso saudável e em quantidade suficiente na região que vai receber o implante dentário.

A avaliação dos ossos na região bucal pode ser feita por exames clínicos, radiografias e tomografias. Quando alguns sinais aparecem nestes exames, tais como a diminuição da cortical óssea mandibular ou perda grave de osso alveolar sem causas diretas da periodontite, torna-se necessário o encaminhamento para o diagnóstico da osteoporose e tratamento.

O tratamento da osteoporose melhora a condição sistêmica do paciente para a recuperação com implantes dentários. “Este assunto tem sido muito estudado e sabe-se que os implantes dentários tem um bom resultado em pacientes com osteoporose em tratamento”, explica o Dr. Ferreira.

As regiões mais afetadas estão relacionadas com o osso trabecular e diminuição da espessura cortical, tanto na maxila (parte superior) quanto na mandíbula (região inferior). “Um Cirurgião dentista bem informado consegue identificar indicativos sinais de osteoporose utilizando apenas as imagens de uma radiografia panorâmica de maxila e mandíbula”, comenta o dentista.

Rotineiramente, pacientes, principalmente mulheres acima de 50 anos, apresentam-se ao consultório dentário em busca de recuperação dentária por meio de  implantes dentários. “Muitas delas não suspeitavam que estavam com perda óssea, mas com uma orientação feita pelo cirurgião dentista e encaminhamento correto, este paciente pode iniciar seu tratamento para evitar o agravamento dessa enfermidade”, finaliza Dr. Renato.

Periodontite e Ossos

Diversas pesquisas científicas sugerem a relação da osteoporose com a fragilidade dos ossos nos rebordos alveolares, que envolve a raiz do dente abaixo das gengivas.

Isso ocorre caso o paciente tenha alguma doença periodontal. Para prevenir esta doença é fundamental ter uma higiene bucal impecável com o uso de fio dental, limpadores de língua e enxaguantes, além de visitar o dentista de confiança regularmente.

O paciente com periodontite pode ter diminuição da massa óssea ao redor dos dentes, isso porque a inflamação causada pela doença libera substâncias que atingem e enfraquecem a sustentação óssea dos dentes. Isso pode ser um processo localizado, não necessariamente relacionado à osteoporose, que precisa ser tratado pelo dentista.

Prevenir e tratar

Há diversas maneiras de prevenir a osteoporose. Algumas delas são optar por uma vida saudável: com alimentação balanceada e rica em cálcio, controle de peso, exposição ao sol, além da prática de exercícios físicos. A hereditariedade também é fator de predisposição da osteoporose.

A prevenção é o melhor remédio no combate a osteoporose.

 

Apesar de novos estudos, leite ainda é recomendável para saúde óssea

Pesquisa publicada no BMJ repercutiu ao dizer que a ingestão deste alimento não previne ou reduz risco de doenças ósseas, mas o resultado é inconclusivo e deve ser visto com cautela

 

Tomar leite é bom para a saúde e mantém os ossos fortes. Quantas vezes esta frase não foi dita como recomendação segura?

 

Um estudo publicado recentemente no British Medical Journal – BMJ mostrou um resultado surpreendente: esta velha máxima para uma vida saudável pode estar errada. Apesar de interessante, a revelação não é conclusiva e tem que ser vista com cautela. A recomendação para ingerir leite permanece como importante para a saúde das pessoas.

 

“O desfecho principal do estudo era investigar mortalidade, ou seja, o estudo não foi planejado para investigar a relação do leite com osteoporose ou fraturas. O achado com a relação a osteoporose foi um evento aleatório. Isso implica que análises deveriam ser realizadas com foco na influência do leite sobre a osteoporose para termos um resultado mais seguro.  Com exemplo deveriam ser investigado diferentes tipos de leite (desnatado ou integral), forma de utilização (se acompanhado com outro alimentos), se ingerido em uma única vez ou ao longo do dia”, explica Lígia Martini, integrante da ABRASSO e professora associada do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP.

 

O estudo foi conduzido na Universidade de Uppsala, Suécia, e mostrou um fato novo sobre o consumo de leite para a saúde óssea: este alimento pode não reduzir a fragilidade óssea e até aumentar a possibilidade de fraturas.

 

“Os resultados do nosso estudo questionam a validade das recomendações do consumo de grandes quantidades de leite para a prevenção de fraturas de fragilidade óssea. Mas esses resultados precisam ser interpretados de forma cautelosa por conta da natureza observacional do nosso estudo”, destacou Karl Michaelsson, pesquisador chefe da Universidade de Uppsala, em entrevista à BBC Brasil.

 

Cautela

As redes sociais são uma importante fonte de informação, mas é preciso tomar cuidado. Ir além de títulos e chamadas, lendo com atenção as notícias completas, é importante para não tomar decisões erradas.

 

“Os próprios autores recomendam cautela, implicando que é não preciso parar de tomar leite. Além disso os mesmos resultados não foram encontrados com iogurtes e queijos”, completa a especialista. Existem diversos estudos contrários ou contraditórios a respeito do tema. “A validade deste estudo é incontestável, e os autores ainda afirmam que mais estudos com desenho prospectivo, randomizados e controlados são necessários”, completa.

 

Leite recomendado

Portanto, a velha máxima ainda continua válida: leite é bom, sim, para a saúde e a força dos ossos. “A ingestão adequada deve ser ao longo da vida, desde a infância. Há estudos retrospectivos mostrando que crianças com ingestão inadequada tiveram maior risco de fraturas quando se tornaram idosos”, comenta Lígia.

 

Não somente de derivados lácteos devem ser levados em consideração. Bebidas a base de soja fortificadas com cálcio, sardinha e até mesmo o feijão são algumas opções para quem tem intolerância à lactose ou prefere outro tipo de alimento. Outro fator importante, de acordo com a professora associada da USP e integrante da ABRASSO, é seguir não apenas esta recomendação como todas as outras para um estilo de vida saudável.

 

“Não adianta nada parar de tomar leite e fumar, ser sedentário, ter alimentação inadequada, não utilizar medicamentos recomendados pelos médicos. Achar que só o fato de não tomar leite vai prevenir fratura ou ter osteoporose é improprio. O conjunto deve der adequado. Deve-se atentar também para a quantidade ingerida diariamente (que não deve ultrapassar três ou quatro copos)”, explica Lígia.

 

Com informações da BBC Brasil.

Descubra por que o cálcio é vital depois dos 50 anos

Pesquisa mostra que brasileiros consomem o nutriente de forma inadequada

A fórmula é conhecida, mas continua sendo mágica: exercícios físicos, consumo de cálcio e exposição adequada ao sol são vitais para quem passou dos 50 anos. É nessa faixa que a osteoporose costuma bater a porta. O cálcio é o principal nutriente para manter ossos fortes, mas também é fundamental para manter o coração batendo e a musculatura periférica trabalhando.

– Se o consumo de cálcio é baixo, os ossos são os primeiros a sofrer os danos, Por isso, depois dos 50 anos a soma da atividade física, a ingestão de cálcio pela dieta e 15 minutos de sol sem protetor solar são vitais para qualidade de vida – conta Sebastião Radominski, chefe da Reumatologia da Universidade Federal do Paraná e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).

Uma pesquisa desenvolvida pela Pfizer Consumer Healthcare em parceria com a ABRASSO revelou que 71% das mulheres desconhecem que a perda de cálcio começa muito cedo, aos 35 anos. O IBGE revelou que 90% da população brasileira consome cálcio de forma inadequada. A professora do curso de Nutrição da Unisinos, Bruna Pontin, aponta que há combinações que interferem na absorção de cálcio.

– O ferro pode anular a forma como o corpo recebe o nutriente. Por isso, bife com molho branco, café com leite e leite com achocolatado não são combinações recomendadas – disse.

Nosso corpo se constrói e reconstrói, mas depois dos 50 anos a matemática começa a ficar negativa. Essa conta pode ser equilibrada se o consumo de cálcio for de 1200ml/dia. Isso significa que um copo de leite, um iogurte e duas fatias de queijo dão conta da demanda.

– Apenas quem realmente tem intolerância ao leite e seus derivados deve optar pela suplementação – destaca Radominski.

Embora folhas verdes mais escuras, salmão, sardinha, linhaça e amêndoas sejam fontes recomendadas, a disponibilidade de cálcio nos derivados do leite é ainda maior. Enquanto 100g de espinafre possui 100ml de cálcio, um copo de leite pode ter mais de 300ml do nutriente.

A osteoporose é a principal consequência da insuficiência de cálcio. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. A pesquisa da ABRASSO revela ainda que apenas 33% dos participantes afirmam ter feito alguma mudança em seus hábitos visando à saúde dos ossos.

Com instalação silenciosa, a osteoporose normalmente é descoberta quando ocorre uma fratura, seja ela de forma espontânea ou por pouco impacto. A dor está diretamente associada ao local em que ocorreu a fratura ou desgaste ósseo.

– A osteoporose é muda, mas a fratura grita. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são tão importantes – esclarece Radominski.

Para quem já passou dos 50, Radominski destaca 5 situações que podem ser um alerta para dar mais atenção à saúde dos ossos:

1) Avaliar fatores de risco para fratura

O histórico familiar pode ser determinante. Enquanto 1 em cada 3 pessoas podem ter osteoporose na terceira idade, o dobro sofrerá desse problema se algum familiar já tiver problemas nos ossos. “Isso significa que se há esse fator, é preciso começar a cuidar ainda mais cedo”, revela.

2) Histórico de fratura por baixo trauma

“Se por um escorregão uma fratura foi causada, a qualidade do osso não é boa, não importa a fase da vida em que a situação aconteceu”, explica o reumatologista. Esse é um bom motivo para cuidar desde cedo. Se o consumo diário for levado a sério desde os 20 anos, as chances do problema ocorrer diminuem consideravelmente.

3) Uso de cortisona

A cortisona é um medicamento que age como anti-inflamatório e imunossupressor. Ela pertence às drogas esteróides e é usada para tratar, entre várias doenças, alergias graves, doenças reumáticas e respiratórias e problemas de pele. O uso prolongado de cortisona pode afetar diretamente a saúde dos ossos porque reduz a massa óssea.

4) Menopausa

Nessa fase, as mulheres podem apresentar um desgaste mais acelerado e comprometer até 25% da massa óssea, caracterizando a osteoporose.

5) Pouco sol

“Passe protetor no rosto e não no corpo e, durante 15 minutos, tome sol diretamente na pele, não mais do que isso, todos os dias”, diz. O sol faz com que toda a ingestão de cálcio seja absorvida de maneira eficiente porque ele com que o corpo produza o hormônio Colecalciferol, que costumamos chamar de Vitamina D. Mais do que osteoporose, a falta desse hormônio causa fadiga crônica, dores musculares, raquitismo, deficit de crescimento, doenças respiratórias, psoríase e outros males.

Fonte: Jornal Zero Hora

Crédito da foto: meantux via Compfight cc